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Tia escreve carta no aniversário de 1 ano da morte de Polyanna, brutalmente assassinada pelo ex-marido

UM ANO DE SAUDADES

Eu me lembro…
Eram dez horas da manhã de 10 de fevereiro de 2010. 
Eu estava me preparando para tomar banho e ir para o trabalho quando o telefone tocou.
Maldito telefone.
Se eu pudesse voltar atrás…
Se eu soubesse a notícia que ouviria…
Eu não teria atendido aquele telefonema.
Ainda hoje, quando o telefone toca, meu coração palpita.
Não sei a notícia que virá após o “Alô!” ..

Naquela manhã, o simples ato de atender o telefone que tocava insistentemente, mudou toda minha vida. Mudou a vida de toda a minha família.
Ainda posso ouvir a minha voz gritando “Mentira, é mentira, é mentira”.
Não era mentira.
Era a verdade mais cruel que já ouvi.
Do outro lado da linha, Márcia, minha irmã, me informava aos prantos que Polyanna havia sido assassinada pelo ex-marido.

Após o momento de negação, de dizer que era mentira, eu esbravejei contra o Marcelo, autor daquele ato tão covarde.
Eu disse que queria vê-lo morto! E no momento seguinte eu pedi a Nossa Senhora que nos ajudasse.
Pedi a Ela que da mesma forma que ela havia recebido seu filho todo machucado, todo ensanguentado, que recebesse Poly e que pedisse a DEUS que desse força a toda a minha família. Pedi também pela família do Marcelo. Pedi por ele.

Nossa Senhora me atendeu. Ela me amparou para que eu junto com minha irmã tomassemos as primeiras providências. Ela me amparou, me carregou no seu colo de mãe quando tive que reconhecer o corpo, quando vi o rosto lindo de Poly desfigurado pelas facadas. Ela me amparou no meio do tumulto que se formou no cemitério, pessoas querendo chegar próximo ao caixão ávidas de ver as marcas da crueldade, marcas que foram perfeitamente encobertas pelo excelente trabalho da funerária, e eu tive que pedir, a essas pessoas, falar alto para que não amontoassem em cima de meu irmão e minha cunhada… Ela me amparou. Ela me ajudou a ver detalhes. Detalhes que só com os olhos de mãe de Nossa Senhora eu pude ver, eu pude pensar.

Nós vivemos seis meses embolados, agarrados uns com os outros, digerindo nossa dor, amparados pelos amigos que se fizeram presentes.

Agora faz um ano.
Um ano em que lembramos de Poly todos os dias.
Um ano em que a cada vez que passo em frente ao Magazine Luiza, meus olhos se turvam de tristeza pela sua falta.
Um ano em que todas as vezes que uso o perfume que ela gostava seu filhinho de quatro anos diz: “ai o cheirinho de minha mãe Poly” ou então quando ele fica olhando pro céu ou até mesmo pega o celular e se põe a fotografar uma estrela, ele é um garoto super esperto, e quando a gente pergunta o que está fazendo responde: “Estou olhando ou estou fotografando minha mãe Poly”.

Sou catequista. E procuro seguir, viver o que prego, o que a Bíblia ensina, mas confesso que em vários momentos desejei que acontecesse um motim no presídio, desejei que o Marcelo tivesse tirado sua vida também.

Peço a Deus perdão por estes pensamentos.
Perdão é um processo contínuo. Eu oro a Deus que plante a semente do perdão em nossos corações.
Mas eu não consigo esquecer a maravilhosa filha, maravilhosa sobrinha, maravilhosa mãe, maravilhosa irmã, maravilhosa amiga, maravilhosa prima, maravilhosa, inesquecível pessoa que era a Polyanna e que ele tirou de nosso convívio. Não consigo esquecer que o meu sobrinho não tem o colo da mãe, o peito da mãe, ele acabara de ser desmamado. Não consigo esquecer que Poly não acompanhará junto com todos nós o crescimento de seu lindo filho.

O seu celular está em poder da Polícia, mas fico imaginando qual foi sua última ligação? Ela tentou pedir socorro? Para quem foram seus últimos pensamentos? O que será que gostaria de nos falar e não teve tempo? Certamente nos pediria para cuidar do seu filho, mãe zelosa que era. Provavelmente pediria ao seu pai para ficar calmo. Pediria a sua mãe e seus irmãos e todos nós para não odiarmos, pois ela era, é pura luz. Ela era só amor.

E o autor de toda esta tristeza, está preso, mas muito em breve sairá e recomeçará sua vida.
Poly não teve esta chance.
E o autor dessa crueldade, pelo que sei canta junto com seus colegas de cela que “a pena é longa, mas não é eterna”.
E o autor dessa monstruosidade, foram dezoito facadas, fora os pequenos cortes nas mãos quando ela provavelmente tentou se defender, Cinco cortes profundos na região do rosto. Ele queria desfigurar o seu lindo rosto.

Ele premeditou tudo. Dois dias antes, em uma roda de amigos ele disse que a mataria, pois não admitida a hipótese de vê-la com outro. Mas ele tinha várias namoradas e pelo que nos consta, não sabemos se é verdade, cabe uma investigação, uma de suas namoradas de uma cidade próxima teve um filho dele em maio de 2010.  Ele dava roupas de Poly para a namorada e queria que ela o aceitasse de volta?

Eu acredito na justiça de Deus e peço a Deus que ilumine os jurados que nem sei quem serão, como não sei quando será o julgamento, para que eles peçam pena máxima para cada um dos três crimes cometidos: a) Crime torpe, motivo fútil; b)  Premeditação, dois dias antes ele falou prus seus amigos que iria matá-la pois não suportaria vê-la com outro. E do presídio ele mandou uma carta pra uma amiga lá do bairro falando a mesma coisa; c) Utilização de recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima, sem chance de defesa. Poly era “mignon”, tinha menos de 1,60 e pesava uns 48 quilos e ele tem 1,89 e na época devia pesar uns 75 a 80 quilos. Pura covardia.

Ele teve tempo de arrepender-se. Ele poderia ter parado na primeira facada, mas foram dezoito e ouso dizer, contrariando tudo com ela presa no cinto. A primeira coisa que ela fazia ao entrar no carro era colocar o cinto de segurança. Ele a matou com requintes de crueldade e como se fosse um cão, um gato, ele a colocou na beira da estrada pra acabar de morrer. Será que se ele a tivesse levado para o pronto socorro ela se salvaria?

Por isto ao completar um ano do assassinato de Polyanna eu peço que divulguem para todo mundo, quem tiver acesso à mídia o faça por favor. Precisamos impedir que estes canalhas continuem matando em nome do amor.

Precisamos impedir que mais Polyannas, Elizas, Islaines, Mércias sejam sacrificadas em nome da vaidade desses bebês que se dizem homens e não sabem ouvir  não, não aceitam serem rejeitados.

Que Deus nos abençoe a todos!

Angela Sueli Barbosa

09/02/2011

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Arquivado em Polyanna