Caravana de Consuelo protesta contra feminicídios na Cidade de Juarez

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No próximo dia 4, dezenas de mulheres, organizações sociais e defensores/as de direitos humanos integrarão a “Caravana de Consuelo” que sairá de Cuernavaca, estado de Morelos, no México, rumo à Cidade Juárez, em Chihuahua, para protestar contra os resistentes e crescentes casos de feminicídios na cidade que fica ao Norte do país. Além de pedir justiça, a caravana também tem por objetivo dar maior visibilidade ao problema que há anos afeta a região de Cidade Juárez.

Durante a caminhada, que passará por nove estados e terá duração de nove dias, os/as militantes também pedirão ao governo que cumpra a sentença emitida em 16 de novembro de 2009, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CoIDH) sobre o conhecido caso do Campo Algodoneiro.

Para isso, a caravana realizará um evento no Campo Algodoneiro para pressionar as autoridades a tomar as devidas providências. A sentença da CoIDH responsabiliza o México pela falta de medidas de prevenção e proteção para as vítimas destes crimes, já que a ocorrência do feminicídio na região é denunciada desde a década de 90. Os/as organizadores/as da “Caravana de Consuelo” estimam que cerca de 400 organizações da sociedade civil de todo o país participarão desta ação.

Caso do Campo Algodoneiro

Em novembro de 2001, os corpos de Claudia Ivette González, de 20 anos, Esmeralda Herrera Monreal, de 15, e Laura Berenice Ramos Monárrez, de 17 anos foram encontrados no campo algodoneiro, na Cidade Juárez. Elas desapareceram entre 22 de setembro e 29 de outubro de 2001. Dias depois, outros cinco cadáveres foram encontrados no mesmo local que deu nome ao caso.

Outra vítima do feminicídio na região foi Susana Chávez, ativista que exigia a investigação dos frequentes assassinatos de mulheres na região. Com a frase “Nem uma morta mais”, Susana havia se transformado em um símbolo da luta contra o feminicídio.

Desde então, entidades como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA cobram providências das autoridades mexicanas. Dezenas de outras entidades também já se pronunciaram contra a impunidade, a corrupção e a falta de estado de direito que só faz aumentar a ocorrência dos crimes contra mulheres.

Desde 1993, mulheres e organizações sociais denunciam a violência contra a população feminina de Cidade Juárez. De janeiro a abril deste ano, a organização ‘Justiça para nossas filhas’ registrou 140 casos de homicídios de mulheres no estado de Chihuahua, superando em 13% o registrado no mesmo período do ano passado. Se esses números continuarem aumentando, a cifra deste ano pode superar o recorde histórico de 446 homicídios registrados no ano passado em Chihuahua. A Cidade Juárez continua liderando a lista de feminicídios em Chihuahua.

Apesar da implementação do plano “Todos somos Juárez” e da forte presença de militares nas ruas, os crimes de gênero continuam aumentando. De acordo com os registros, a maioria das mulheres é assassinada com armas de fogo.

As ativistas acusam que a violência contra as mulheres em Cidade Juárez se agravou com a presença do Exército. Também acusam o governo de querer encobrir esta realidade com a desculpa de que a violência na região é consequência do crime organizado e do tráfico de drogas.

No mês passado, a Procuradoria Geral do Estado de Chihuahua anunciou que faria modificações no protocolo ALBA, programa utilizado para a busca de mulheres e crianças desaparecidas, para atender a sentença emitida pela CoIDH sobre o caso do ‘Campo Algodoneiro’. No novo formato, todos os casos de pessoas desaparecidas devem ser investigados igualmente, e não apenas se a vítima estiver ausente em uma área de alto risco, como estabelece o programa vigente desde 2004.

Com informações de Cimac Notícias e imprensa local. Publicado por Adital.

Notícia retirada do Portal Revista Forum

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